segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O futuro

O que é o futuro?
Ontem eu me deitava com medo da solidão que presentia e me achava tão injusta porque alguém zelava de tão perto. Na verdade o tão perto era o melhor jeito de esconder a insatisfação de me ver como seu carma, sua insosa missão de mártir do prazer.
Eu não era isso. Não havia qualquer consistência no que eu era. Um sopro e a casa de palha desabou.
Estranho porque o que parecia certo, sobrou em pé ainda. Sobrou firme e a contradição que isso gera agora é mortal, dói como um espinho em local muito incomodo.
O que é o futuro? É o que vem depois disso. É o superar ou o não superar. O passar por cima, o "sacode levanta a poeira e dá a volta por cima?"
Eu sou humana! Apesar de tudo que pareça que eu possa suportar eu sou de carne e osso e não aguento.
O teste a minha sanidade foi grande demais e o pior é que parece não terminar, porque eu não sei se entendo o que significa futuro!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Os pontos

Há vários deles me ladeando.

Pontos abertos, pontos fechados
Pontos de vista e pontos para feridas

Os pontos de apoio
e o ponto de desequilíbrio que não encontro

um ponto final, um ponto de interrogação.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Forte

Como não me conheço, como não esqueço, como me arrependo
Como deixo a dor me conquistar, como não a permito ir
Como faço o passado parecer perfeito, como não consigo me libertar
Como preciso saber esquecer

Hoje toda a dor sutil, todo o intocável e irreal não é nada
Hoje quero uma dor física que supere a emocional e a quero forte

De forte só sobrou a dor
De construído só sobrou o que se espera
De concreto só sobrou o chão

E agora?

sábado, 21 de agosto de 2010

Silente Passado

Quando tudo começou foi como sempre e nã percebi que se tratava do que já havia sido.
Ele se apresenta sem nenhuma palavra, ele se encosta e não se percebe.
Quando se nota ele está então reinstalado, mas não se mostra em primeiro plano jamais.
Incomoda assim, por encoberto que está, grita o silente e diz: Ainda...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ideograma

Você nem pode compreender.
Estava escrito emblematicamente em meu sorriso amarelo que haveria um ponto final.
E pela dor da falta da reticência, pela amargura da conclusao após dois pontos a tristeza tornou-se diferentemente não passageira.
Existe um ideograma de nossa história, estoicamente encrustado em pensamento, em tatuagem ou impressão em mim. Talvez só em mim.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Perdidos no Espaço

Deixando o profundo de lado, o que sobra nem sempre é o supérfluo.

Não escreveria, não falaria tanto se não houvesse uma necessidade latente de compreensão. Estranhamente me sinto com mais dúvidas do que na infância, e me lembro de como era naquela época difícil lidar com elas.

Essa forma de se sentir suspenso, perdido em meio a questionamentos metafísicos parece bem real novamente. Eu fecho os olhos e perco os parâmetros da existência. Não me escondo mais como outrora e deixei novamente o medo da infância se instalar, e durmo então com as perguntas a saltar cercas imaginárias ao invés de carneirinhos.

Não há mais barulhos aconchegantes da presença que assegurava a companhia. Só há o silencio alto e manifesto da individualidade levada ao extremo.

Sei ser um. Mais um, único em mim.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um que ficou guardado...

Não posso ir até onde estava e me avisar que estive fazendo tudo errado.
O que resta é uma homenagem a um pedido que fiz pra mim mesma em um passado próximo: Miss reticente.
E um que ficou guardado, é bom para abrir meus textos cheirando a naftalina:

Não faz mesmo diferença se for assim, só pra mim, ou externo. Ainda não compreendi bem os conceitos de “total acesso”.

E assim mais um domingo, mais uma semana, mais um sem título, apesar de já fazer bastante tempo desde o último. “O que é dessa vez?” Boa pergunta! O mesmo de antes, com o gosto diferente, de uma solidão ambígua para uma factível. Injusto eu dizer isso. Mas não quero falar de injustiça mais. Nada remove o que é, como é na verdade.

É talvez possa ser sobre isso, sobre a verdade. Sobre as coisas que posso realmente enxergar, e por isso mereçam esse nome: verdade.

É sobre a verdade de quem eu penso ser, de como a mim é fácil escrever e pensar, ler e suspirar ainda é fácil, como é simples ainda caminhar (apesar da não necessidade mais) e ainda ver algo de beleza nisso. É interessante ver expressa a desordenada mente de quem faz questão da ordem, num universo regido pelo caos.

Não me perco mais, não me procuro também e nos momentos que algo me obriga já prefiro a fuga, a eterna mentira, aquela que todos contam um pouco todo dia diante do espelho para no fim se constituir algo chamado memória, porque o que é memória senão as mentiras que permanecem com aqueles que enxergam a pessoa que decidimos mentirosamente fingir ser todos os dias jurando ante ao espelho que é o que realmente somos, a única e eterna mentira da pura e pia existência.

Bobagem tudo isso, ainda prefiro assim. É doce a decepção concreta à imaginável, a dúvida se sustenta de esperança e como Nietzche sabiamente dizia: “a esperança é a mãe da decepção”, e sendo assim com a contastação nada resta e o que se imaginava ser agora sendo torna-se somente o que é, e não mais um espião no sono, um delírio diurno na multidão de tarefas.

Não mais esses contos sobre inícios e fins, sobre meios e justificativas infames para não haver no presente, não me lamento pelo que fora, não me desespero (mentira) pelo que há de vir. Não sou, cansei de ser, avisei a Shakespeare que a máxima dessa era, a mesma desse total acesso que não compreendo é apenas “Estar ou não estar, eis a questão”.

E ponto.